domingo, 17 de julho de 2011

Liberdade condicionada


Conquistei minha liberdade, consigo fazer o que eu quero, decidir sobre minha vida e minhas ações, mas existe algo que me intriga, até onde a liberdade pode ir? Minha liberdade interfere em terceiros? E afinal, eu realmente tenho liberdade? Venho me questionando, debatendo e formulando respostas, e finalmente cheguei em uma conclusão.
A liberdade é ilusória, você não é livre plenamente, a moralidade e a sociedade irá te impor regras, o que é possível é a permissão dentro do limite de aceitação. A liberdade é uma prostituta, "faço o que eu quero até onde posso", o conceito errôneo de liberdade é "fazer o que quer", mas você tem um limite imposto por enes fatores, que "vai até onde você pode". As pessoas querem liberdade para sair de casa, ou para voltar, querem ter o direito de fazer o que bem entender, serem independentes, e acha que com isso, tem a liberdade. NÃO! Você não possui liberdade de fato, você tem permissões e concessões conquistados arduamente. Não existe um indivíduo que é totalmente livre, (e digo liberdade no amplo sentido na palavra, nas suas ações, sentimentos e dentro da sociedade) pois ela é condicionada. Não tem como você sair pelado e exigir não ser notado, não tem como ficar feliz se alguém que você ame morra, e sempre haverá a pressão da sociedade para julgar seus parâmetros de comportamento e ações.
Aqueles que possuem "liberdade" ou estão vivendo fora de uma sociedade, ou estão vinculados com poder. E dentro do nosso sistema capitalista, a liberdade também é comprada. Você pode ter tudo que quiser, e fazer o que bem entender, basta financiar sua. Talvez sua NECESSIDADE pode ser associada com sua LIBERDADE, quantas vezes escuto pessoas se iludindo, querendo alcançar a maior idade, achando que terá mais respeito, será escutado, irá ganhar o mundo, (e a propósito, se você for uma dessas pessoas, parabéns, acabei de desconstruir uma "verdade" sua!) mas isso, é só porque essas pessoas querem apenas chegar em casa mais tarde sem serem julgadas, necessidade. Mas pior e mais complexo de se pensar, é a sua "liberdade" para com o próximo, e essa é SEMPRE condicionada, são infinitas ações que você pode tomar, mas essas podem causar reflexos em terceiros. O exemplo clássico disso, são os pais, que podem tomar qualquer rumo em suas vidas, mas pode se refletir na vida de seus filhos. Você pode muito bem sair por aí querer pegar todas(os), mas com toda certeza, terá que ter "sangue frio" para arcar com um despertar de um amor, se ainda querer ser livre e pegar todas(os).
Para resumir, creio que a liberdade ela é ilusória, finita e puta, mas caaaaaalma! A liberdade não é negativa, ela é distorcida, assim como a maioria das "verdades" que construímos. Eu não tenho liberdade, mas tenho o "senso de liberdade", é como as asas de Ícaro, eu posso voar, só não posso ir muito alto ou ir muito baixo, mas consigo voar aonde quiser dentro dessas condições. Temos que repensar sobre o próximo, as nossas ações, os nossos sentimentos. Para que a nossa liberdade não termine aonde a do outro começa, mas que surja um novo conceito de liberdade.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

...


Dor, a trágica companhia que tenho, a que me trará sempre o descontrole sobre meus sentimentos quase absoluto, oscilando todas elas, o sorriso disfarçado, a gargalhada desesperadora, um pedido de ajuda, a maturidade cética, o amor ao próximo, a insignificância de mim. Sobra-me o silêncio, tão astuto com suas palavras, me deixa a desfiar meus sentimentos, um por um, até que sobra a dor, que para mim, são todos eles reunidos, nus e crus, jogados violentamente para fora, até que totalmente estejam expressos. A morte já passou por minha cabeça, meus olhos e minha pele, e como guardo todos meus sentimentos, ela se aproveita das minhas brechas, um estopim basta para me explodir, mas o não faz, prefere-me ver corroendo por dentro, lentamente, até ficar o vazio, e não sentir nada além dela.

O que me assusta é meu sorriso, rir diante de tanta dor, meu mecanismo de defesa antagônico, talvez seja uma tentativa de sentir alguma coisa, uma esperança no mínimo frustrada, as lembranças que vem e que vão, as palavras agonizantes, o teatro que se mantém o tempo todo pela maturidade. Meu corpo se cansou, minha alma, se é que existe alguma alma aqui dentro, está morta, o amor ao próximo sem o próximo te amar, regredir, regredir. Lástimas, compaixão, falsidade. O que eu faço diante de tantos sentimentos, de tantas pessoas? Atirar-me-ei na escuridão dentro de mim, para que eu possa encontrar novamente a luz, e não se sabe se brilha ou ofusca. Espelho? Imagem mais que real, meu idealizado se encontra lá, minhas mentiras se encontram lá, minha vida está lá. Viver da ilusão é confortável, não há dor, não há morte, perfeição. Consigo viver da ilusão enquanto a realidade não me achar, e com sua indelicadeza, banir toda minha pseudofelicidade e mostrar o que me resta: nada.

sábado, 7 de maio de 2011

"O Abridor de sorrisos"

Sempre procuro pensar no próximo, nos sentimentos das pessoas, priorizar a felicidade do outro, mesmo que a minha seja prejudicada. Já fui ao sacrifício várias vezes, em silêncio, e escondendo a dor, a angústia, a tristeza. Conheci o céu e o inferno, não consigo me encaixar em nenhum dos dois. Meus sentimentos embaralham-se novamente, como um quebra-cabeça, e tento montar uma imagem que nem sei qual é. E sempre tem aquela peça que some, "saudade", talvez aquela que faltava para você entender a imagem.
Seria bom que todos tivéssemos um abridor de sorrisos, mesmo que seja comprado, a realidade pode se tornar muito dolorosa, fazendo a ilusão uma oferta tentadora. Sentir que está próximo e ao mesmo tempo tão longe, há um vão entre as pessoas, qualquer tentativa de aproximação, de mostrar algum sentimento, é vil em sua perspectiva, acaba caindo em um abismo sem fim. O medo de se doar é enorme, o egoísmo sempre fala mais alto. E minha melhor atitude é novamente o silêncio, eu vejo isso ocorrer o tempo todo, mas fico imóvel, não posso interferir na liberdade das pessoas, mesmo que elas não saibam a importância disso, apenas me contento com o a ilusão.
Eu me sinto bem em fazer as pessoas sorrirem, me entregar totalmente a elas, sem medir conseqüência, para que eu possa conseguir fazer uma ponte nesse vão. Mas chega um momento de exaustão, porque você faz tanto pelos outros mas pouquíssimos fariam o mesmo com você? Porque esconde tanta coisa atrás do seu sorriso? E quanto mais mergulho dentro disso, mas é a vontade de ir mais fundo, mesmo que me falte ar, eu preciso saber o que há dentro de mim.
Daquilo que ela passou, se estivesse aqui, com certeza ela me ajudaria, que se entendeu depois de tantos anos em pouco tempo. É corrosiva a dúvida, mãe, te deixa agonizando até você solucionar-lá ou ela te consumir inteiro. E há de consumir lentamente, sentimento por sentimento, até sobrar um vazio, um morto com vida.
Enquanto isso, irei montando e desmontando meu quebra-cabeça, procurando a peça que falta, sentir os outros sem eles me sentirem. Irei procurar a resposta da minha dúvida. "Afinal, o que há no Artur?"

quinta-feira, 31 de março de 2011

Sociedade BURRA!


A cena que vi hoje foi no mínimo frustante, que me deixou muito reflexivo e com uma sensação de impotência terrível. Entro no micro-ônibus em direção a minha casa, com meu fone de ouvido, sem ouvir absolutamente nada do mundo, estava com meus pensamentos bem longe daqui. E assim, observava as pessoas, e uma delas me chamou a atenção. Um rapaz aparentemente jovem, com seus 25 anos, vestido de trapos e um chinelo sujo, negro, entrou no ônibus e começou a falar, não entendia o que ele dizia, até o momento dele chorar. Quando ele falou o termo "passagem", peguei dois reais na minha carteira e me dirigi até a cobradora e ele olhou pra mim e disse: "Não é essa passagem, é uma de eu ver minha mãe.". Eu fiquei sem reação, e logo ele voltou dizendo "alguém pode ajudar a ver minha mãe? Pelo menos antes dela ir pro caixão". Não sabia o que fazer, fiquei impotente, me deixei levar pela alienação. Eu não consegui ajudar-lô, tão pouco me levantar novamente para ir ao meu assento. Ele desceu logo em seguida e a sua expressão não era das melhores.
Então eu fiquei reflexivo por um tempo e comecei a questionar sobre a sociedade, sobre as pessoas, do modo que vivemos. Somos condicionados a sermos egoístas, não conseguimos mais viver se não houver uma necessidade a ser saciada. Porque eu tenho que estudar em colégio particular para ter uma oportunidade de entrar em uma universidade "pública"? Porque o conhecimento que eu tenho, outras pessoas não tem? Quem inventou a necessidade do dinheiro? Porque os cristãos não conseguem amar o próximo como amam a si mesmo? Afinal, qual é a finalidade disso tudo? Eu tenho que estudar para ter dinheiro, eu tenho que trabalhar para ter dinheiro, eu tenho que mendigar para ter dinheiro, tenho que matar para ter dinheiro, tenho que me prostituir para ter dinheiro. Que merda de sociedade BURRA, INSENSÍVEL, HIPÓCRITA! Miserável é aquele que só consegue enxergar a si, que busca saciar uma necessidade que nem foi ele que criou, reza ou dá esmola achando que irá resolver os problemas dos outros.
Me questiono também quando professores me falam "se você passar na UnB, o mérito é seu!". Experimente então ser uma pessoa incapacitada de andar, se você usar a cadeira de rodas, não é mérito seu conseguir locomover-se, será da cadeira que possui rodas. SEMPRE precisamos das pessoas, principalmente quando se trata de algum objetivo, é muito egoísta dizer que a conquista é só de quem conquistou. O mérito são das pessoas que me ajudam, que estão sempre próximos.
Do surgimento de um indivíduo até sua morte, ele está condicionado a ficar com seu pensamento egoísta imposto pelo sistema que vive. Realmente seremos HUMANOS quando percebermos a importância do coletivo. De se preocupar de fato com o próximo, de resolver problemas sociais, quando for absurdo pensar que existem cães com melhores condições de vida do que muita gente.

"O tempo é o campo do desenvolvimento humano"
Karl Marx

quinta-feira, 10 de março de 2011

E a nova filosofia de vida...




Depois de um mês, ele surge das cinzas como a Fênix, totalmente renovado, e voando bem alto! Esse tempo longe do teclado me deixou a pensar nos textos que postaria aqui, e resolvi postar hoje, porque "o ano só começa quando termina o carnaval", vale ressaltar também o dia internacional da mulher que foi nessa semana, parabéns a todas vocês, de tanta luta e preconceito, o mínimo era fazer essa homenagem, e querer que um dia, não precisar comemorar isso, nem dia da mulher, nem da consciência negra, nem de qualquer coisa que leve a segregação mas isso é uma outra história, ainda terá um post sobre isso!
Quero chamar a atenção de vocês sobre alguns acontecimentos que me ajudaram ainda mais a crescer como humano, ser pensante e extremamente complexo. Resolvi jogar fora a moralidade, estou vivendo cada dia como se fosse único, abrindo espaço para uma nova personalidade, mas para isso, tive que me resolver com muita gente, porque não posso querer ser alguém novo se eu não me resolver com o meu antigo. A maioria dessas pessoas me entenderam, outras nem tanto, mas fiz o que tinha que fazer. Após isso tudo, dei espaço a sentimentos que nunca havia sentido antes, das coisas mais ordinárias até as mais insanas, estou dando a oportunidade de sentir o gosto do veneno e do mel, faço ética sem moral porque não se vive de opiniões alheias, sentir a liberdade correndo em suas veias é uma sensação única, liberdade incondicional, sem depender de outro alguém.
Achei mais um elemento nessa incógnita cheia de variáveis, liberdade! É com ela que se decide tudo, estudar, dormir, correr, andar, transar, e todos os outros verbos no infinitivo. Infelizmente, em alguns casos, a liberdade anda junto com independência, é claro que não existe ninguém auto-suficiente em tudo, mas há uma grande interferência na liberdade das pessoas quando essa dependência afeta diretamente em suas escolhas, nos seus atos e em tudo que você possa imaginar. Mas existe liberdade para essas pessoas? Isso é muito relativo. Tem aquelas que por necessidade abrem mão da sua liberdade, existem outras que são reprimidas, há quem luta e quem espera, e outras infinitas possibilidades. Para elas, digo somente uma coisa, independente da forma de lidar com isso, não deixe de viver uma das melhores sensações do mundo, abrir mão da liberdade é abrir mão da sua vida.
Enfim, são inúmeras oportunidades que se tem com a liberdade, a escolha depende de cada indivíduo. E para terminar, Raul Seixas.





sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Faces


Meu caro leitor, com certeza você já parou naquela situação aonde que as pessoas mostram aquilo que "realmente" são, ou pessoa "duas-faces", ou aquele amor que você imaginava mas não era. Isso tudo são as formas que tanto o ser humano como os sentimentos podem assumir, e todas elas reunidas caracterizam o ser ou o sentimento. De uma forma mais simples, é como descrever alguém, baixinho, narigudo, cabeludo, estamos falando de quem? Eu, claro! Quando você fica bobo, sonha alto, fica distante, e quando vê aquela pessoa, não sabe o que fazer? Você está apaixonado! Somos de inúmeras faces, utilizamos elas o tempo todo o Artur que digita aqui é um outro quando sai dessa cadeira.
E assim, ao longo da vida, mostramos várias faces, de medo, de coragem, de mentiroso, de sincero, de amante, de bobo... O que não pode acontecer é substituir as faces por nossos valores, porque assim você não tem identidade, você não se personifica no sentimento, mas ele em você. CUIDADO! Existem pessoas que conseguem a face que quiser e usam para si próprio, essa sim é a pessoa "duas-faces" algumas por motivos psicológicos, outras por benefício.
Enfim, aproveite que você é humano e use suas faces, aquelas que você nunca usou, se descubra que você pode ser o vilão/mocinho da história, ou ser ninguém. Eu garanto a você que é muito divertido EIUHiuehiUEH, E você? Quantas faces você tem?